quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O Louco





Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido
,
despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas

 máscaras tinham sido roubadas

– as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete

 vidas –

e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:

“Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com

 medo de mim
.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no

 telhado de uma casa gritou:

“É um louco!”

Olhei para cima, para vê-lo.

O sol beijou pela primeira vez minha face nua.


Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,

e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,

e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei:

“Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:

a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,


pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em

 nós. 


Gibran Khalil Gibran
Postar um comentário