terça-feira, 31 de dezembro de 2013

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Menina Gélida





Na manhã gelada desse inverno,

andando para o caminho do futuro...

só se escuta os pássaros no céu.



Coração "neblinado", boca rochosa,

ar suspirando, menina gélida, branca,teimosa, 

tentando alcançar o presente,vivendo o futuro.



Passagem estreita, beco largo, vida turva,

mãos sem luva, vida dura...

vista culminante, amedronta, acalma, treme,

rima com o leme que leva o barco do amor...

pra longe da sua flor.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Solidão




Quem nunca sentiu em plena luz do dia o mundo cinzento e circunspecto à sua volta, levante a mão. As palavras saindo da boca sem ordem e sem juízo. O discurso atrapalhado, estendendo os braços por detrás de sentenças inteiras sobrepostas umas sobre as demais.
Brincadeira ainda verde de cabra-cega, esgueirando os restos de infância através de um corpo decididamente maduro. Quem nunca ansiou compor de quietude seus gestos e de apaziguamento sua mente? Confesse enquanto há tempo.
Afinal, qual a diferença entre solidão e o se sentir solitário?
Solidão é algo imenso, calmo, às vezes até grandioso. Uma nobreza ímpar — tingida, com frequência, de um lilás bem clarinho.  Uma cor que se mantém delicada e transparente mesmo em dias de vento forte. Em um de seus líricos desabafos, Machado de Assis sentenciou: “Desesperado, cuidei que o ar e a solidão me aplacassem o ânimo”.
Os dicionários comentam da qualidade feminina e substantiva da solidão. Entretanto, há controvérsias que se agitam nas definições. Alguns arriscam entendê-la como um “estado de quem está totalmente só; imerso em Isolamento moral e interiorização espiritual”. Outros atribuem modalidades ásperas, ariscas, queixumes de abandono a esta palavra, que se preenche inteira de suas singulares percepções.
Estados particulares de experimentar momentos quase orientais de aprofundamento e introspecção.  Um mergulho calmo e visceral, recheado de possibilidades de se constatar como alguém único.
Faremos agora um passeio pelo cotidiano. Pela existência opaca de muitos de nós, enfiados frequentemente em relacionamentos sem eco e sem ruídos. A não ser diante das sublevações caseiras, em cujo contexto antecipam-se fagulhas de raiva acumulada, impropérios contra a falta de dinheiro, negado pelo marido para as multicompras sonhadas naquele shopping sofisticado e  inaugurado recentemente.
“Eu quero, eu preciso daquele vestido!” a mulher se exaspera, ameaça iniciar um escândalo a varejo, dentro do quarto e sala sem varanda, e nem vaga de garagem. Um antigo ditado sentencia: “antes só do que mal acompanhado”. Mas quem aguenta a própria e mirrada companhia, confundida com uma legião de avatares dispersos nas comunidades de infinitas redes sociais.
Admita: você nunca se multiplicou em tantos personagens, nos dias atuais e nem se sentiu tão sozinho. São as frágeis promessas da vida virtual que o cercam, enroscadas em carências de todos os tamanhos e procedências.
Não é vergonha, porém, flagrar-se habitando um imóvel vazio, tedioso e mofado que é o seu próprio corpo. Mais que depressa, entretanto, em regime de semi-histeria, e diante de desalentadora situação, a ordem é cobrir-se  de tatuagens estranhas, algumas agressivas, bizarras,  iconoclásticas.  Outras simbolizando seres míticos, tracejados por dragões, serpentes e guerreiros medievais.
Conferir um upgrade na potência de existir, afinal, faz bem à vaidade, e também, a um difuso sentimento de insegurança. Introduzir piercings e próteses debaixo da pele, adereços de contornos surreais, traduz-se em gesto solidário para combater a própria solidão.
Imiscuir-se no álcool e em outras deleitáveis drogas traz um conforto sem precedentes a tantas criaturas toscas que vagueiam pelas noites à espreita de minguados e provisórios contatos físicos. Porque convenhamos, agora você tira sarro é do seu smartphone, dos tablets e gadgets afins ávidos de sua plena atenção.
O casal almoçando aos sábados sempre no mesmo restaurante — há alguns anos ungido pelo sagrado exercício do matrimônio, mas sem emitir qualquer som, durante o pretenso momento de lazer, é digno de registro. As conversas, convém elucidar, foram esquecidas no sótão da casa onde moram, junto a utensílios em desuso.
Separação? Nem pensar. Imagine o que os casais amigos, as famílias em comum comentarão do fracasso conjugal? Sorrir é preciso, a qualquer preço — ainda que o esgar desarticulado no rosto sem esperanças resulte de antidepressivos. Transmitir alegria a dois — mais um dentre os indiscutíveis deveres sociais.
“Antes mal acompanhado do que só” —  é a máxima vigente nos mínimos intercâmbios cotidianos. Decidir pela separação assemelha-se para muitos a um ato deplorável. Nada mais lamentável e desolador, resolver quebrar as algemas daquela funesta união.
Poucos são os que fruem de uma solidão próspera, rica de pormenores tão íntimos quanto os discretos recantos da alma. Solidão grávida de inventividade, carisma, originalidade e prazer, por que não?
A solidão fecunda, enraizada nos jardins das legítimas escolhas pessoais gera milagres, encantos, deliciosas  singelezas. Talvez quase ninguém se dê conta disso, nesta “Era do Vazio”, título, aliás, de uma obra do  pesquisador Gilles Lipovetsky,  centrada no  hipernarcisismo e individualismo contemporâneos.
Sentir-se solitário, entretanto, faz-se acompanhar de muletas de toda espécie. Drogas, sexo indistinto e em profusão, gula gigantesca, fala interminável, saídas compulsivas para programas em todos os lugares, apenas com o intuito de se livrar da própria tenebrosa e asfixiante companhia.
Os eremitas, anacoretas, monges silentes deslizando por mosteiros enormes soam incompreensíveis às regras de bem-viver coletivo, delineadas pelas instituições, família, escola, igreja, antes mesmo de nascermos.
A solidão para muitos significa exílio e prisão. Sem entender que estes  raros e consentidos encontros devem ser  brindados especialmente  Com um champanhe dos deuses, sorvido prazerosamente em taças do mais puro cristal francês.
 Mauro Santayama.

MISCIGENAÇÃO OU PRECONCEITO?





Não Sou:
- Nem Negro, Nem Homossexual, Nem Índio, Nem Assaltante, Nem Guerrilheiro, Nem Invasor De Terras. Como faço para viver no Brasil nos dias atuais? Na verdade eu sou branco, honesto, professor, advogado, contribuinte, eleitor, hétero... E tudo isso para quê?

Meu Nome é: Ives Gandra da Silva Martins*

Hoje, tenho eu a impressão de que no Brasil o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades governamentais constituídas e pela
legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que eles sejam índios, afrodescendentes, sem terra, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, ou seja, um pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco hoje é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior (Carta Magna).

Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que eles ocupassem em 05 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado, e ponham passado nisso. Assim, menos de 450 mil índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também por tabela - passaram a ser donos de mais de 15% de todo o território nacional, enquanto os outros 195 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% do restante dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.

Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas aqueles descendentes dos participantes de quilombos, e não todos os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição Federal permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.

Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um Congresso e Seminários financiados por dinheiro público, para
realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria do Governo!

Os invasores de terras, que matam, destroem e violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que este governo considera, mais que legítima, digamos justa e meritória, a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', simplesmente porque esse cumpre a lei..

Desertores, terroristas, assaltantes de bancos e assassinos que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações,
pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de R$ 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.

E são tantas as discriminações, que chegou a hora de se perguntar: de que vale o inciso IV, do art. 3º, da Lei Suprema?

Como modesto professor, advogado, cidadão comum e além disso branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço nesta sociedade, em terra de castas e
privilégios, deste governo.

(*Ives Gandra da Silva Martins, é um renomado professor emérito das Universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército Brasileiro e Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo).

Para os que desconhecem o Inciso IV, do art. 3°, da Constituição Federal a que se refere o Dr. Ives Granda, eis sua íntegra:
"Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."

sábado, 16 de novembro de 2013

APENAS VIVO





Para cada um de nós e - em algum momento perdido na vida - anuncia-se uma missão a cumprir?

 Recuso-me porém a qualquer missão. 

Não cumpro nada: apenas vivo.


(Clarice Lispector - Água Viva - pág. 73)

sábado, 19 de outubro de 2013

VIVER UM POUCO




Desde que se separou de Natália, Tomi Grainoi passou a carregar a morte em seu bolso como uma opção amiga, uma forma de consolo para seus erros e fracassos, ainda que ela não o tenha encontrado pelo coração partido. Ao contrário do que todos pensavam, romper o curto noivado não o tinha afetado. Sua dor era mais profunda, mais antiga. Tão antiga que nem sabia que o porquê ela o acompanhava. Apenas sua presença era constante, um parasita sugando seus planos e sonhos, impedindo-o de ser feliz, ou, ao menos, de tentar sê-lo.
Ao fracassar novamente, agora no relacionamento, a morte, sedutora e atraente, conversou com ele, ofereceu o conforto de seu abraço e a ausência de julgamentos. Eu sei que está cansado – cochichou ela – apenas feche os olhos e deixe-me cuidar de você, Tomi, tudo será resolvido. Ela o aceitaria não importa o quão se sentisse um fracassado, impotente ou infeliz, a morte estaria sempre ali com a mão estendida, aguardando-o com ar sereno e doce, desejando-o como nenhum ser humano pode desejar outro, com seus braços frios e afáveis, contrários aos quentes, mas incertos, corações humanos.  
Tomi olhou-a com o desconforto da cabeça mal voltada e seus pensamentos mal entendendo: eu morrerei. E morrer já não parecia tão triste quanto lhe parecera no passado. Acelerou o carro um pouco mais. 140 km/h. E a morte lhe sorriu. Mas ele não pensava mais no conforto que ela poderia lhe trazer, estranhamente, apenas lembrou-se: esquecera-se – ao menos acreditava que havia esquecido - de colocar ração para seu cachorro antes de viajar. E aquilo pareceu algo muito importante, mais importante que sua própria dor.
Nutrido, o cachorro, sequer era dele, pertencia à Natália. E Natália traíra Tomi várias e várias vezes. Mesmo assim, ele gostava do cachorro, era uma parte boa que merecia ser protegida antes do fim inevitável, trágico e até um pouco poético que a morte lhe oferecia. Enquanto dirigia olhou para ela e sorriu de volta:Depois nós conversaremos – respondeu.
Nutrido pulou em Tomi como sempre fazia ao vê-lo, marcando no peito da camisa suas patas com a lama do buraco em que trabalhava na ausência dos donos, mas Tomi sorriu feliz dentro dos limites que seu corpo permitia alguma felicidade. A roupa suja não faria mais diferença, apenas ficou feliz pela felicidade sincera de Nuti.
Tomi estava morto há mais de uma hora. Ao menos já tinha tomado sua decisão nesse tempo, precisava apenas se certificar que seu amigo ficaria bem na sua ausência e se entregaria aos braços da sua nova amiga. E os potes de ração estavam cheios para uma semana, mais que suficiente.
Sentou na varanda de casa, tirou a morte de seu bolso.
— Posso fumar um cigarro antes? – perguntou acariciando dedos frios da morte, mesmo sabendo que sua nova amiga, sempre tão presente, era a mais paciente de todos os seres. Esperaria a vida inteira para ter a alma de dele em seus braços.  
Acendeu o cigarro e tragou. Prendeu a fumaça em seus pulmões e sentiu a nicotina invadindo seu corpo. Abriu a boca e deixou a fumaça escapar lentamente. Pensou no quanto odiava seu tão prestigiado trabalho e sorriu por não precisar mais dele na próxima segunda.  Tragou mais um gole da fumaça e lembrou-se das coisas que fazia somente para agradar aqueles que o cercavam.
Como somos seres estúpidos, pensou ele.
Nutrido deitou-se aos pés de Tomi e começou a lamber as próprias partes íntimas.
— Você não se importa, não é? – Tomi riu – Dane-se o mundo desde que você possa lamber as próprias bolas. Mas tudo bem se você não sentir minha falta, eu o entendo. Espero que a Natália cuide bem de você. Você é um cachorro de sorte, sabia?
Acendeu outro cigarro na brasa do primeiro. Era bom pensar em suas obrigações estando morto. Tudo parecia tão mesquinho e sem sentido. Na última semana, quando seu chefe começou a gritar por causa de um relatório atrasado, deveria ter levantado e o abraçado: É só um relatório, chefe. Semana que vem estarei morto e não terá tanta importância. Talvez o senhor esteja morto, ainda mais se estressando tanto por tão pouco. E depois dado um beijo em sua face. Seria engraçado. Então, pediria demissão e viveria a última semana fazendo algo legal, escreveria um livro, talvez.
Um carteiro apareceu no portão e começou a separar correspondências para pô-las na caixa de correio.
— Você não vai lá latir, Nutrido? – perguntou ao cachorro que ignorou tanto o carteiro quanto a pergunta – Sempre quis latir para um carteiro, só para saber a sensação. Por que você não faz isso? Deve ser libertador.
E Tomi voltou seu olhar para o carteiro distraio. E depois para o cachorro novamente, e para o carteiro novamente.
Apagou o cigarro. Levantou-se delicado com um felino caçando e pôs-se a correr em direção ao portão, meio arcado, esganindo um som latido como se fosse um cachorro. Nutrido assustou-se e observou com a cabeça levemente inclinada e orelhas em pé. Levantou-se atrapalhado, deslizando no piso escorregadio e correu junto com Tomi latindo ferozmente contra o invasor.
O carteiro paralisou-se com a cena. Incrédulo. Olhos arregalados e a boca entreaberta. Assustado, segurou firme o guidão da bicicleta abandonando as correspondências no chão e fugiu, xingando e amaldiçoando com palavras inventadas para expressar sua raiva, medo e surpresa.
Filho da puta desgraçado, foi a única coisa coerente que Tomi entendeu.
Quando chegaram ao portão, o carteiro já tinha partido, e Tomi abraçou vitorioso, Nutrido.
Comemoraram a vitória correndo de volta para a varanda.
— Somos uma dupla e tanto, não? – comentou orgulhoso – deveríamos fazer isso mais vezes – e afagou a cabeça do cachorro.
Nutrido latiu em resposta como quem concorda e entende.
Pegou uma cerveja na geladeira e sentou-se novamente com outro cigarro acesso.
— Por que eu nunca fiz isso? – conversava com a morte novamente.
Ele sabia: Já estava morto. Ninguém julga um morto, e se perderem tempo em julgar, já não faz diferença. Pensou no emprego e em tudo o que fizera para manter sua aparência de cidadão normal. Riu da própria insanidade. Pela primeira vez na vida, se sentiu bem. Apenas aceitou seu destino e sua loucura sem medo do que os outros diriam. 
— Eu tenho algo a fazer, minha amiga – disse Tomi à morte – conversaremos amanhã ou talvez na semana que vem ou daqui a alguns minutos, não importada, eu sei que você estará de braços abertos pra mim, mas antes, preciso viver um pouco.
Tomi morreu há três anos.
Quando seus pensamentos se perdem longe dos seus sonhos, ele tira sua amiga do bolso e eles conversam. 
— Já estou morto, minha amiga.  Logo minha alma aos seus braços, mas, antes, preciso fazer algo... – e, com todo amor, cuidado e carinho de uma relação longa e duradoura, guarda-a novamente.


Daqui:

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Menina




Um dia conheci uma menina - não, não, deixe-me começar novamente -. Um dia, quase conheci uma mulher - sim, uma mulher e nós nunca nos conhecemos verdadeiramente, sabe? Cara a cara? – A experiência da vida a tornou uma mulher, mas seu coração ainda é inocente, como o de uma criança.

É impossível não se apaixonar por ela. Você poderia até tentar, mas duvido que consiga não deixar se contagiar pela essência de vida que transpõe a muralha construída à sua volta. Eu gosto de vê-la sorrir, e enxergar com os olhos da minha imaginação a luz que nasce dentro dela. Talvez não seja apenas luz: são cores, cheiros e sensações. Uma explosão de sentimentos confusos, mas, ainda assim, agradáveis. Mais sensações do que algum ser possa catalogar.

 Ela me disse que é sensível e chora, às vezes. Isso é tão bobo - digo, se preocupar com algo que a torna mais bela -. Acho que ela desconhece o poder e a beleza que tem dentro de si, capaz de cruzar e sobreviver não só a distancia, mas ao tempo. Talvez sua beleza interior seja ofuscada, a primeira vista, pela exterior, tal como um  lindo presente, dentro da mais bela embalagem.  Mas o que ela tem de mais bonito, é o coração.
 
Sinto pena daqueles que não veem isso, mesmo quando estão tão perto. São idiotas, só pode. Certa vez escrevi que prefiro o amor platônico, por ser ideal e perfeito. Quando esta frase tomou conta dos meus pensamentos, eu sabia que era apenas uma semente esperando o momento e o terreno certo para germinar. Eu não sabia quando ou por quem ela brotaria, mas agora eu sei.

Perfeito e ideal. Não é assim todo amor?  Eu digo que não, pois o amor platônico é unilateral. Ama-se a projeção da pessoa e o que ela representa. É um caminho de via única. Quer ver? Sabe aquela menina de que falava antes? Sim, sim, aquela “mulher” e não menina, eu sei. Eu não a conheço, mas sei que os homens confundem seu charme natural e se iludem pensando que ela se atrai facilmente. Ela é incompreendida por eles e prefere os animais – sim, ela ama os animais, e isso só a torna ainda mais linda. Não a culpo por julgá-los, são todos tolos e infantis. E não sou exceção, mas como ser indiferente diante de algo tão raro e e belo quanto um raio de sol? Exato. Não se pode!

Não são apenas os homens, todos parecem não enxergar - ou ignorar - seu potencial, seu esplendor e ela já não se importa com os outros. Melhor, finge não se importar, pois ainda sente, lá no fundo do seu peito, aquela pontinha de desapontamento por não a verem como merece. Isso não lhe causa dor, é como uma pequena farpa que lhe causa o mais leve desconforto e precisa ser retirada, não mais que isso.Mas está lá, o tempo todo.

Aquela gota de tristeza que seu semblante deixa escapar, que fica ali, despercebida, imersa na confusão de tantas sensações agradáveis que ela exala, parece uma cereja - o retoque de sua perfeição. A lágrima escondida de uma dor que ela guarda pra si - e somente pra si - para reviver, eternamente, esses momentos passados, na solidão do seu quarto. 
 
 
Daqui:

domingo, 13 de outubro de 2013

BALDE DE ÁGUA FRIA


Quanto custa a felicidade?





Me compre benzinho, me compre a felicidade...
Aquela dos beijos que eu espero e sei o sabor.
Do cheiro gravado em meu cérebro, onde num fechar de olhos sinto enebriar-me.
O calor da tua pele em contato com a minha, me aquecendo e levando-me a brasas.
Tua voz que me fala coisas inconfessáveis...
Compre meu bem...   
Compre as estradas desse país. 
Onde são contados os quilômetros da distância.
Sim, quero um mundo para nós.
Compre as horas do meu dia, 
e o silêncio da minha noite.
É nesse pequeno tempo que se enconde o meu pensamento em você.
Me compre também o sabor das minhas vontades!
Sabor de saudade e ansiedade por um passado presente e um futuro sonhado...
Me compre todas essas coisas meu bem querer, e verás que jamais deverias ter gastado.
Pois na existência do nosso encontro, tudo isso já foi firmado na grandiosidade do viver.


WR.

sábado, 7 de setembro de 2013

TEMPO... NÃO HÁ.





Todos


     os   


Caminhos




Lenine


Eu já me perguntei se o tempo poderá realizar meus sonhos e desejos, será que eu já não sei por onde procurar ou todos os caminhos dão no mesmo e o certo é que eu não sei o que virá só posso te pedir que nunca se leve tão a sério nunca se deixe levar, que a vida é parte do mistério, é tanta coisa pra se desvendar
Por tudo que eu andei e o tanto que faltar, não dá pra se prever nem o futuro, o escuro que se vê quem sabe pode iluminar os corações perdidos sobre o muro e o certo que eu não sei o que virá, só posso te pedir que nunca se leve tão a serio, nunca se deixe levar que a vida, a nossa vida passa e não há tempo pra desperdiçar.

O Silêncio e seus Significados





O Silêncio 


Das



Estrelas




Lenine

Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal?
Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais, de mais...
Afinal, como estrelas que brilham em paz, em paz...
Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

DESEJO E VONTADE: CONSPIRAÇÃO





“A esperança é a confusão entre o desejo de uma coisa e sua probabilidade.”


{Arthur Schopenhauer}

TÃO TUA




O meu coração é tão teu ...

E minha alma a tanto te espera

Que por vezes sinto o seu perfume chegar

e abraçar meu corpo ...


Valquiria Cordeiro

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

PAI NOSSO




Pai-Nosso em Aramaico


Pai - Mãe, respiração da Vida,
Fonte do som, Ação sem palavras, Criador do Cosmos !
Faça sua Luz brilhar dentro de nós, entre nós e fora de nós
para que possamos torná-la útil !

Ajude-nos a seguir nosso caminho
Respirando apenas o sentimento que emana do Senhor !
Nosso EU, no mesmo passo, possa estar com o Seu,
para que caminhemos como Reis e Rainhas
com todas as outras criaturas !

Que o Seu e o nosso desejo, sejam um só,
em toda a Luz, assim como em todas as formas,
em toda existência individual, assim como em todas as comunidades !

Faça-nos sentir a alma da Terra dentro de nós,
pois assim sentiremos a Sabedoria que existe em tudo !
Não permita que a superficialidade
e a aparência das coisas do mundo nos iluda
e nos liberte de tudo aquilo que impede nosso crescimento !

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A MAÇÃ





A MAÇÃ

Raul Seixas

Se esse amor
Ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre amor
Vai se gastar...

Se eu te amo e tu me amas
Um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais...

Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa num altar...

Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais...

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar...

Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais...

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

EU ME AMO







Eu Me Amo

Ultraje a Rigor





Há quanto tempo eu vinha me procurando
Quanto tempo faz, já nem lembro mais
Sempre correndo atrás de mim feito um louco
Tentando sair desse meu sufoco
Eu era tudo que eu podia querer
Era tão simples e eu custei pra aprender
Daqui pra frente nova vida eu terei
Sempre a meu lado bem feliz eu serei

Refrão
Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim

Como foi bom eu ter aparecido
Nessa minha vida já um tanto sofrida
Já não sabia mais o que fazer
Pra eu gostar de mim, me aceitar assim
Eu que queria tanto ter alguém
Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém
Longe de mim nada mais faz sentido
Pra toda vida eu quero estar comigo

Refrão

Foi tão difícil pra eu me encontrar
É muito fácil um grande amor acabar, mas
Eu vou lutar por esse amor até o fim
Não vou mais deixar eu fugir de mim
Agora eu tenho uma razão pra viver
Agora eu posso até gostar de você
Completamente eu vou poder me entregar
É bem melhor você sabendo se amar

domingo, 14 de julho de 2013

NESSUN DORMA




Nessun Dorma

ITALIAN;
Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o, Principessa,
nella tua fredda stanza,
guardi le stelle
che tremano d'amore
e di speranza.

Ma il mio mistero e chiuso in me,
il nome mio nessun saprá!
No, no, sulla tua bocca lo diró
quando la luce splenderá!

Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
che ti fa mia!

(Il nome suo nessun saprá!...
e noi dovrem, ahimé, morir!)

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vinceró!
vinceró, vinceró!

ENGLISH
No-one sleeps....no-one sleeps,
Even you, O Princess,
in your cold room,
Watch the stars
which tremble with love
and hope!

But my secret is locked within me,
no-one shall know my name!
No, no, I shall say it on your mouth
when the light breaks!

And my kiss will break the silence
that makes you mine!

(No-one shall know his name,
and we, alas, shall die!)

Vanish, o night!
Set, ye stars!
At dawn I shall win!


Ninguém Durma

Italiano:
Ninguém durma! ninguém durma!
Tu também, ó princesa,
na tua fria alcova
olhas as estrelas
que tremulam de amor
e de esperança!

Mas o meu mistério está fechado comigo,
O meu nome ninguém saberá!
Não, não, sobre a tua boca o direi,
Quando a luz resplandescer!

E o meu beijo destruirá o silêncio
que te faz minha!

E o seu nome ningúem saberá!
E nós deveremos, infelizmente, morrer!

Desvença, a noite!
Desapareçam, estrelas!
Desapareçam, estrelas!
Ao alvorecer eu vencerei!
Vencerei,Vencerei!!!

Ingles:
Ninguém durma! ninguém durma!
Tu também, ó princesa,
na tua fria alcova
olhas as estrelas
que tremulam de amor
e de esperança!

Mas o meu mistério está fechado comigo,
O meu nome ninguém saberá!
Não, não, sobre a tua boca o direi,
Quando a luz resplandescer!

E o meu beijo destruirá o silêncio
que te faz minha!

E o seu nome ningúem saberá!
E nós deveremos, infelizmente, morrer!

Desvença, a noite!
Desapareçam, estrelas!
Ao alvorecer eu vencerei!





"Nessun dorma" ("Ninguém durma", em italiano) é uma famosa ária do último ato da ópera Turandot criada em 1926 por Giacomo Puccini. A ária refere a proclamação da princesa Turandot, determinando que ninguém deve dormir: todos passarão a noite tentando descobrir o nome do príncipe desconhecido, Caláf, que aceitou o desafio. Caláf canta, certo de que o esforço deles será em vão.


A Princesa Turandot, filha do Imperador Altum da China, odeia todos os homens, e jura que jamais se entregará a nenhum deles; isto devido a um fato ocorrido na família imperial que a traumatizou para sempre: o estupro e assassinato da princesa Lo-u-Ling, quando os tártaros invadiram e conquistaram a China. Seu pai, porém, exige que ela se case, por razões dinásticas, e para respeitar as tradições chinesas. A princesa concorda; porém, com uma condição: ela proporá três enigmas a todos os candidatos, que arriscarão a própria cabeça se não acertarem todos os três, e somente se casará com aquele que decifrar todas as três duríssimas charadas. A crueldade e frieza da princesa não fazem mais do que atiçar a paixão do Príncipe Desconhecido, filho do deposto rei dos tártaros, que decide arriscar a própria vida para conseguir a mão da orgulhosa princesa. Ele consegue, após a derrota de todos os outros candidatos, até porque é o único que compartilha da natureza sádica e egoísta da princesa, sendo capaz de entendê-la.


Ato I

Pequim. Um arauto do governo imperial anuncia à multidão, reunida na Praça da Paz Celestial, o decreto do imperador Altum: a Princesa Turandot desposará aquele que, de sangue real, decifre os três enigmas que ela proporá. Aquele que se arriscar, porém, e fracassar, pagará com a vida. O Príncipe da Pérsia acaba de tentar, mas não teve sorte: será executado ao nascer da lua. A multidão mal pode esperar para ter o prazer de assistir à execução (Perchè tarda la luna?). No meio dessa turba ensandecida está o velho Timur, incógnito príncipe destronado dos tártaros, e sua fiel servidora Liù. O Príncipe Desconhecido, filho de Timur, exulta de alegria ao reencontrar seu pai, que julgava morto. A lua surge no céu. Aparece o Príncipe da Pérsia a caminho do patíbulo; longe de parecer assustado diante da morte, ele parece estar num êxtase místico, embriagado pela beleza de Turandot. Aqui a princesa entra em cena pela primeira vez. Tomados de compaixão pelo jovem príncipe, todos suplicam-lhe por clemência; mas, ao invés, sem hesitar um só segundo, num gesto imperioso, frio, e cruel, ela dá o sinal ao carrasco que faz descer o machado no pescoço do príncipe. É neste exato momento que o Príncipe Desconhecido se apaixona por Turandot, e anuncia sua intenção de se candidatar à mão da princesa. Todos tentam demovê-lo da idéia: seu pai, os três ministros imperiais Ping, Pang e Pong, e Liù que, numa comovente ária, Signore ascolta, confessa que está apaixonada pelo príncipe desde o dia em que pela primeira vez o viu sorrir no palácio real. O Príncipe responde pedindo-lhe que nunca deixe de tomar conta de seu velho pai, se ele vier a faltar (Non piangere Liù). Aos gritos gerais de louco! insensato! o que estás fazendo? - o príncipe toma do martelo, e dá três golpes no gongo, sinal de que está se candidatando à mão de Turandot.


Ato II

Os três ministros Ping, Pang e Pong discutem o destino da China, e comentam que, desde que Turandot começou a reinar, ninguém mais tem paz no Celeste Império: o machado e os instrumentos de tortura funcionam noite e dia. Monta-se a cena diante do Palácio Imperial para a cerimônia dos enigmas. Surge em cena o velho imperador Altum, que tenta convencer o jovem pretendente a desistir: "Permite, meu filho, que eu possa morrer sem levar para o túmulo essa culpa pela tua jovem vida, muito sangue já correu!" Mas é tudo em vão, a obstinação do jovem Príncipe Desconhecido deixa todos estupefatos. Surge Turandot, que olha o candidato com olhar frio, impassível, e cheio de desdém. Sua voz se faz soar pela primeira vez: "Neste palácio (In questa Reggia), já faz mais de mil anos, um grito desesperado ressoou; e aquele grito, da flor da minha estirpe, um eco eterno na minh'alma deixou. Princesa Lo-u-Ling!… Há séculos ela dorme na sua tumba enorme! Estrangeiro, desiste! Os enigmas são três, a morte é uma." Tendo o príncipe recusado sua última chance de escapar ileso, Turandot expõe seu primeiro enigma. "Qual é o fantasma que nasce todas as noites, apenas para morrer quando chega a manhã?" "É a esperança," responde o príncipe. Os três sábios do reino consultam o livro das respostas: primeira resposta, correta. Turandot, por um breve momento, parece ter sentido um choque, mas não se deixa abater, e diz cheia de escárnio: "Sim! A esperança que ilude sempre!" Impassível, ela propõe o segundo enigma: "O que é vermelho e quente como a chama, mas não é chama?" "O sangue," responde o príncipe. Os sábios consultam seus livros: a segunda resposta também está correta. Agora, Turandot parece ter perdido um pouco a compostura, mas se convence de que nem tudo está perdido. Vem o terceiro enigma: "Qual é o gelo que te faz pegar fogo?" "Turandot." "Turandot! Turandot!" gritam os sábios em coro. Resposta correta! Agora, o desespero toma conta de Turandot, que se atira nos braços do pai: "Pai, não me obrigue a entregar-me a este estrangeiro!" Mas seu pai lhe responde que nada pode fazer: o juramento é sagrado. O Príncipe Desconhecido, porém, afirma que não quer ter Turandot contra a vontade da princesa. Ele propõe-lhe, então, um único enigma; se ela responder corretamente, ele desiste dos seus direitos, e entrega sua cabeça ao carrasco. "Tens até a aurora," diz ele, "para descobrir meu nome."


Ato III

Funcionários públicos percorrem as ruas de Pequim com lanternas acesas. Numa ditadura perfeita, onde ela tem poderes ilimitados, Turandot ordenou que ninguém durma esta noite em Pequim: todos devem ajudar a descobrir o nome do Príncipe Desconhecido. É então que o príncipe canta a celebérrima ária Nessun dorma (Que ninguém durma). Os três ministros Ping, Pang e Pong tentam fazer de tudo para convencer o jovem a desistir, oferecendo-lhe lindas mulheres, riquezas, e um visto de saída da China - mas tudo em vão. De repente, alguém se lembra de que viu o jovem príncipe em companhia de Liù e do velho. Turandot ordena que Liù seja torturada, até que revele o nome do príncipe; ela morre sem dizer uma palavra, numa das mortes mais comoventes de todas as óperas. O dia nasce com o velho chorando sobre o cadáver de Liù. "Liù, bondade! Liù, doçura! Liù, poesia!". Calaf, o principe desconhecido vê Turandot, ela pede que todos saiam e tem um duo com ele (este já composto por Franco Alfano) em que ela se revela humilde. Calaf conta qual é o seu nome, e os guardas chegam; Turandot restaura seu orgulho, mas na hora de falar qual é o nome de Calaf ela fala que o nome dele é "Amor".