quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Não!!!!





Não me olhes assim...
Não me olhes assim!
Por favor não!
Não me peças com o olhar
Aquilo que nunca te poderei dar...
Não me segures a mão
Junto ao teu
Coração...

Não me olhes!
Eu simplesmente não consigo...
Não tenho o dom,
De te resistir...
Não tenho a receita,
Não sei o antídoto,
Não sei qual o mal,
Nem tão pouco o final
Desse veneno que é teu.

Não me olhes assim,
Não ponhas esse semi sorriso,
Não me convenças que queres,
Não me dês a certeza que tens,
Por favor não!
O teu olhar transporta-se
Por tudo à minha volta
Hipnotiza-me,
Transcende as minhas defesas,
Acalma-me o medo,
Esse teu olhar
É o nosso segredo.

Não! Por favor não!
Eu não resisto,
Eu sei...
Pior, tu sabes,
E queres,
E podes, e fazes.
Muito pior!
Eu quero,
Eu quero tanto...

Não te introduzas
No meu passado,
Não assines o meu futuro,
Não arrumes a minha vida,
Não me dês a felicidade instantânea,
Apenas com esse olhar.
Afasta de mim essa água
E esse pó!
Que me faz feliz...
Afasta de mim essa mistura calma,
Afasta de mim essa paz,
Afasta de mim esse carinho,
Esse amor...
Eu simplesmente não consigo!

O teu olhar...
A minha paixão...
O meu futuro,
Na tua mão.
Não! Não pode ser! Não!
Não me olhes assim,
Porque eu quero...
Mas não posso.
Porque eu não tenho,
Mas perdi vontade de.
Porque eu não sou,
Mas nunca soube o quê.
Porque eu não te resisto,
Mesmo sabendo que me vais usar...

Não me olhes assim,
Não me deixes ver o teatro
No teu coração,
Não me mostres
Assim com tanta luz
Essa encenação...
Não me deixes
Adivinhar-te o corpo,
Não me deixes
Pensar que te amo,
Não me deixes
Beijar-te apenas e só
Porque quero.

Não ilumines a minha vida,
Esse teu olhar é luz demais,
Essa tua expressão,
Abarca-me, abraça-me
Prende-me...
Dá-me sentença eterna,
De felicidade instantânea.
Dá-me factura mensal
De gramas e gramas de dor,
Que não sentes.
Apenas a transmites,
Espalhá-la com vontade,
Com gozo, com desprezo até...
Olhas-me assim,
Como nem eu próprio
Me consigo olhar.
Tocas-me na face,
Abraças-me e levas-me...
Adormeces, e eu não acordo.

Por favor não me olhes assim...


de Nuno Vieira
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